Compliance: a configuração dos negócios sustentáveis

Compliance: a configuração dos negócios sustentáveis

Compliance: a configuração dos negócios sustentáveis

Todo assunto novo desperta curiosidade e alimenta pontos de vista mais ou menos apaixonados, contraditórios ou convenientes.

Em parte é o que se observa em relação ao Compliance que, embora não seja inédito, vem sendo apresentado por alguns como a “última palavra” para se enfrentar a corrupção, no Brasil e no mundo.

Há inclusive quem lhe atribua um repertório quase infinito de “poderes”, na expectativa de que seja essa a solução mágica para “eliminar” riscos e vulnerabilidades do mercado (como se isso fosse possível!).

Noutro extremo, opiniões reducionistas destacam o Compliance apenas em seu aspecto formal (conformidade com leis, normas e regulamentos) não lhe reconhecendo outras virtudes.

Nesse mar de desatinos, há quem prescreva soluções padronizadas de Compliance para empresas de um mesmo segmento, enquanto outros afirmam tratar-se de um modismo que passará em breve, como tantas outras tendências mercadológicas.

Tomando o caminho do meio, é preciso reconhecer que há muito espaço para aprimoramento do Compliance corporativo, devido a pouca maturidade do tema no nosso mercado, o que requer a superação de inúmeros desafios de natureza cultural.

Porém,  como estar em compliance é indispensável para a sustentabilidade do negócio, atingir esse estágio é também imprescindível.

Esse é um dos motivos pelos quais a missão do Compliance Officer vai muito além da simples tradução do verbo to comply.

Certezas

Compliance é, antes de tudo, um comportamento que deve permear todos os níveis organizacionais.

Sob essa ótica, cada funcionário da organização deve ser um agente de Compliance e portando, vivenciar e disseminar práticas éticas, alinhadas com o escopo normativo e regulatório.

Compliance Officer é o disseminador por excelência das condutas de integridade no ambiente corporativo. Faz parte de seu dia-a-dia transitar por múltiplos ambientes, interagir com variados perfis profissionais nos diferentes níveis hierárquicos e apoiar as pessoas na construção de negócios íntegros. Para isso precisa demonstrar sólidas competências técnicas e possuir habilidades comportamentais diferenciadas.

Observar leis, normas e regulamentos internos ou externos, não é a única dimensão do Compliance, mas está entre suas atividades relevantes para manter a organização focada nos objetivos estratégicos.

Auxiliar as empresas a atingirem resultados, sem descuidar do viés normativo e da segurança, é o propósito maior dos profissionais que atuam em Compliance.

O tamanho da estrutura de Compliance de uma instituição depende, além de outras variáveis, de seu porte, do mercado em que atua, da complexidade de seus negócios e do nível de maturidade de seu ambiente de controle.

Programas de Compliance, são peças “vivas”, portanto precisam ter o DNA da companhia. Devem ser elaborados e revistos periodicamente de forma singular, mediante inquestionável apoio da Alta Administração e a partir de uma acurada análise de riscos. O monitoramento e o aprimoramento contínuos são indispensáveis ao seu sucesso.

Compliance dá retorno?

Uma organização em Compliance tem maiores chances de detectar desvios éticos e de integridade, tanto no ambiente interno como externo (parceiros, fornecedores, etc.). Reduzir probabilidades de riscos (inclusive de imagem) de multas, penalidades e fraudes são, igualmente, efeitos do Compliance.

Lentamente, e a duras penas, após amargar o elevado preço decorrente da falta de integridade nos negócios, várias empresas, especialmente no Brasil, têm adotando padrões mais elevados de Compliance.

Trata-se de um movimento reativo sem dúvida, mas com potencial para contagiar todo mercado, não só devido a imposições legais, a exemplo da Lei 12.846/2013, mas também pelo aprendizado acumulado.

Levantamentos recentes demonstram que o comprometimento com a integridade é capaz de agregar valor aos negócios e não somente mitigar riscos e perdas, como afirma o expert  Michael Volkov. Em seu artigo Defining the Compliance Mission – More Than Just Preveting Violations ele garante que a conformidade com normas e regulamentos, inclusive com o código de ética e de conduta, é capaz de aumentar a produtividade das empresas melhorando consequentemente seu desempenho financeiro, após analisar os resultados agregados pela função Compliance em várias organizações.

Portanto, Compliance pode ser entendido como a configuração ideal para negócios sustentáveis.

 

 

 

 

 

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